quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O fascínio da "vida loca"

Marcello Rubini ( Marcello Mastroianni) é um jornalista de frivolidades que vive, como fala a música de Ricky Martin, uma "vida loca", pulando de festa em festa em ambientes chiques, tendo várias amantes, perseguindo celebridades acompanhado de fotógrafos vorazes por uma imagem "exclusiva" ( um desses fotógrafos chama-se Paparazzo, daí derivando o termo "paparazzi" tão comum nos dias atuais) etc. No entanto, quando ele tem um momento de calma, Marcello percebe o quanto vazia e sem sentido é a sua existência. E ele tem chances de se livrar dessa vida, através, por exemplo, de sua namorada Emma que realmente o ama, mas ele a despreza. O jornalista até tenta se desvincular dessa vida fútil por meio da amizade com o amigo intelectual Steiner e até tentando uma reaproximação  com o pai. Mas a roda viva da vida noturna de Roma parece que o atrai à força como um redemoinho e ele não tem ânimo o suficiente para resistir à tentação. Neste sentido, a cena final é um exemplo perfeito. Marcello está literalmente, numa praia, no meio de duas opções de vida: de um lado, a turma da "vida loca", todos bêbedos e vagando sem direção; do outro lado, uma moça simpática, "normal", a qual ele já havia visto anteriormente, que acena com a possibilidade de uma existência mais estável. Sua boca não diz nada, mas sua expressão facial parece dizer algo como: "eu quuero sair dessa vida, mas já não tenho forças".
Eu nunca fui muito fã da fase "felliniana" da obra de Federico Fellini. Prefiro muito mais seus filmes da fase inicial. Maravilhas como "Noites de Cabíria, "A estrada", "Os boas-vidas". A partir de "Oito e meio" seus filmes vão ficando cada vez mais extravagantes e exagerados, quase carnavalescos, muito "over". Com exceção de "Amrcord" e "Oito e meio", seus filmes desta fase não me dizem nada. Este " A doce vida" (La dolce vita, 1960) está bem no meio do caminho. É o filme de transição entre a melhor fase de sua carreira, com fimes menos ambiciosos e menos auto conscientes e a fase "felliniana", com aquele carnaval todo que às vezes beira o ridículo. Mas Fellini era tão bom diretor que até essas cenas exageradas de sua segunda fase eram extremanete bem filmadas.
Embora por vezes pareça um tanto moralista e algumas sequencias se alonguem demais, "A doce vida" é um grande filme que merce ser visto várias vezes. E Marcello Mastroianni era bom demais !