Filmes de episódios, na maioria das vezes, são muito irregulares. Normalmente, há uma história ótima, a outra, nem tanto e a última muito ruim. Como toda regra há exceção, esta, neste caso, é o excepcional "As 3 máscaras do terror" (Black Sabbath, 1963), de Mario Bava. São três histórias curtas, todas elas muito boas e muito bem contadas.
A primeira, "O telefone", não é bem terror, mas um suspense, com uma clara influência de Hitchcock. Conta a história de uma mulher que é aterrorizada por ligações anônimas ameaçando-a de morte. Conforme o enredo vai se desenrolando, vemos, na verdade, que tudo se resume a uma história de amor radical, envolvendo um triângulo amoroso formado pela mulher ameaçada, sua êx-amante e outro homem. É o mais sutil dos três episódios e também o mais realista.
O segundo segmento, "Wurdalak" já entra numa atmosfera fantástica. Os Wurdalak do título são uma espécie diferente de vampiro, que se alimentam do sangue apenas daqueles que eles amaram em vida. Assim, o terror não vem de fora, uma ameaça externa, mas sim do próprio ambiente familiar. A cena do garotinho, transformado num Wurdalak, chamando a mãe para entrar na casa pois está com frio é assustadora. Se o primeiro episódio lembrava Hitchcock, este lembra os filmes da Hammer.
O último conto, "Gota d´água", faz uma mistura da atmosfera dos dois episódios anteriores, isto é, há elementos "pés no chão" e também toques sobrenaturais. Conta a história de uma mulher que vai preparar o cadáver de uma senhora para ser enterrado, quando, de repente, ela vê no dedo da defunta um anel. Ela não resiste e rouba o anel. A partir daí a ladra começa a ser aterrorizada por elementos prosaicos, como gotas d´água pingando insistemente de uma torneira, ou o vento batendo uma janela. E repentinamente, no meio destes elementos concretos surge a aparição sobrenatural da própria morta ! Particularmente, este é meu segmento favorito.
Mario Bava (1914-1980) fazia parte de um gênero surgido na Itália, nos anos 60, chamado "Giallo". Era um tipo de terror mais sanguinolento, mais gráfico, as mortes eram espetacularmente coregorafadas. Embora Bava também tenha sido um mestre neste sub-gênero, quem realmente se destacou e ainda se destaca, pois continua fazendo filmes, nesse terreno, é Dario Argento. Nos filmes de Argento, a história quase não importa, é apenas um pretexto para o diretor criar cenas de morte impactantes, com cabeças voando, tripas aparecendo e outras atrocidades.
Para quem gosta de terror e suspense, "Black Sabbath" é uma ótima pedida. Vendo esta obra magnífica de Mario Bava,lamentamos o fato de não se fazerem mais filmes de terror desse jeito. É só lembrar que os vampiros de hoje são tipo "Crépúsculo", ou seja, vampiros cheios de frescura. Sou muito mais o Wurdalak de Boris Karloff que, aliás, é quem faz também a apresentação e o epílogo do filme.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Sidney Lumet
Pela terceira semana consecutiva uma personalidade importante do cinema nos deixa. Primeiro, foi Elizabeth Taylor, depois Farley Granger e agora o diretor Sidney Lumet(1924-2011). Embora com uma carreira irregular, é preciso dizer que Lumet teve um privilégio que poucos cineastas tiveram: iniciar e encerrar a carreira com duas obras-primas.Sua estreia no cinema foi com "Doze homens e uma sentença"(1957), um poderoso drama sobre o sistema judiciário americano; seu último filme foi o excelente "Antes que o diabo saiba que você está morto" (2007), no qual as questões morais assumem o primeiro plano. Aliás, os dois fimes lidam com questões morais. Com certeza, este foi um dos temas que nortearam a obra de Lumet. A crítica às instituições também foi assunto abordado com frequencia em sua obra. Teve como alvos, como já foi dito, o sistema judiciário americano (além do já citado "Doze homens e uma sentença", o tema aparece também em "O Veredicto"); a televisão ("Rede de intrigas"); a corrupção policial ("Serpico", "Q&A, Justiça para todos"), entre outros.
No entanto, seu melhor filme, na minha opinião, é aquele que tem um enfoque mais intimista, o contundente "O homem do prego" (The pawnbroker, 1964). Rod Steiger interpreta o dono de uma casa de penhor atormentado pelas lembranças de um campo de concentração nazista. Ele se isola numa comunidade judaica na Nova Iorque dos anos 60. Na verdade, é um "morto que anda". A atuação de Steiger, tranquilamente, está entre as maiores da história do cinema. O que, aliás, remete àquela que eu considero a principal marca de Sidney Lumet: ele era um magnífico diretor de atores. Neste quesito só perdia para Elia Kazan.
Enfim, mais um grande nos deixou.
No entanto, seu melhor filme, na minha opinião, é aquele que tem um enfoque mais intimista, o contundente "O homem do prego" (The pawnbroker, 1964). Rod Steiger interpreta o dono de uma casa de penhor atormentado pelas lembranças de um campo de concentração nazista. Ele se isola numa comunidade judaica na Nova Iorque dos anos 60. Na verdade, é um "morto que anda". A atuação de Steiger, tranquilamente, está entre as maiores da história do cinema. O que, aliás, remete àquela que eu considero a principal marca de Sidney Lumet: ele era um magnífico diretor de atores. Neste quesito só perdia para Elia Kazan.
Enfim, mais um grande nos deixou.
Assinar:
Postagens (Atom)


