domingo, 12 de setembro de 2010

O caminho da loucura

George Cukor(1899-1983) ficou conhecido como o "diretor das mulheres". Não apenas porque seus filmes, geralmente, tinham mulheres como protagonistas, mas porque as atrizes adoravam trabalhar com ele, e assim tinham desempenhos memoráveis. Mas este rótulo é injusto com os atores, pois muitos deles também tiveram interpretações notáveis sob sua direção, ganhando, inclusive, Oscar, que foi o caso de James Stewart, Ronald Colman e Rex Harrison, respectivamente por "Núpcias de escândalo"(1940), "Fatalidade"(1947) e "My fair lady"(1964). Assim, para resumir, Cukor era um excepcional diretor de atores, ficando atrás apenas, a meu ver, de Elia Kazan e Sidney Lumet.
Das atrizes que trabalharam com ele, uma que ganhou o Oscar foi Ingrid Bergman por "À meia-luz"(1944). Neste filme, a sueca interpreta Paula Alquist, sobrinha de uma famosa atriz que morre brutalmente assassinada em um crime que jamais foi solucionado. Para fugir da tragédia, Paula vai para a Itália, onde toma aulas de canto e se apaixona por seu acompanhante ao piano, o charmoso Anton (Charles Boyer, ótimo). Os dois se casam e vão viver na antiga casa da tia de Paula, onde ocorreu o crime. Mas logo fica muito claro que Anton não tem as melhores das intenções, começando pouco a pouco a enlouquecer Paula, com o objetivo de ficar com o domínio da propriedade e de procurar algumas jóias valiosas que não foram encontradas após a sua morte.
Além de excelente diretor de atores, Cukor mostra neste filme que também sabe trabalhar muito bem o ambiente, no caso, o casarão onde os dois vão morar. Trabalhando com luz e sombras quase como num noir, Cukor faz da mansão um outro personagem do filme.
Mas o que chama mesmo a atenção no filme é o gradativo definhamento mental de Bergman. Manipulada como uma marionete pelo maquiavélico Boyer, ela consegue transmitir uma sensação de desespero impressionante. Paula é salva por um policial da Scotland Yard (Joseph Cotten), que nunca se conformou com o fato de o assassinato da tia de Paula ter ficado sem solução, assim, começa a investigar o marido da sobrinha e acaba descobrindo seus planos.
Além do par principal, merece destaque também a impagável atuação de Angela Lansbury, ainda bem jovem, como a petulante e assanhada empregada do casal.
"À meia-luz" é um drama muito bem conduzido e maginificamente interpretado, merecendo lugar de destaque na ilustre filmografia de Cukor.

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