Não deve haver cineasta mais desprezado atualmente que William Wyler(1902-1981). Parece que os críticos sentem um prazer incontido em menosprezar o diretor de "Ben-Hur". Por que ? Há 50 anos , Wyler era sinônimo de qualidade, de bilheteria. Passou pelas décadas de 40 e 50, principalmente, entre os mais requisitados diretores de Hollywood. Seu estilo era clássico, limpo, sem invenções. Talvez seja por isso que os críticos "moderninhos" o desprezam. Porque ele não quer reiventar o cinema a cada cena. Se contenta em contar uma boa história, da maneira mais clara possível, usando as ferramentas da arte cinematográfica. E o modo como ele usa essas ferramentas é muito eficaz, dando conta de uma cena complexa com muita simplicidade. O que deve deixar seus detratores com muita inveja, pois são incapazes de verem a beleza e a eficácia da simplicidade. Para esses críticos, o cineasta tem que ser "inovador", "revolucionário". O deus deles deve ser Lars Von Trier, uma enganação sem tamanho. Cineasta que gosta de "chocar".
Dois exemplos da "beleza da simplicidade" empregadas por Wyler: em "Os melhores anos de nossas vidas" (1946), na cena em que Frederic March retorna para casa depois de servir o exército na Segunda Guerra Mundial. Vemos sua esposa, Myrna Loy, e sua filha fazendo as rotineiras tarefas domésticas. A campanhia toca, a filha vai atender. Ela nem tem tempo de emitir um som, o pai tampa a boca da filha para que a esposa não perceba que ele chegou. A mulher pergunta quem é, a filha não responde. Vemos apenas as costas de Myrna Loy, que para imediatamente de enxugar os pratos, ela vira, a câmera se afasta, March vai correndo em sua direção e se abraçam. Simples, sem invenções, uma cena belíssima, que Lars Von Trier nunca teria condições de realizar. Outro exemplo da arte de William Wyler é a briga entre Gregory Peck e Charlton Heston em "Da terra nascem os homens" (The big country, 1957). Vemos apenas dois vultos trocando socos na imensidão de uma paisagem típica do velho oeste. Para não citar outros exemplos belíssimos, como a morte de Herbert Marshall em "Pérfida"; o reencontro entre Ben-Hur e Messala em "Ben-Hur"; a cena da sedução entre Samantha Eggar e Terence Stamp em "O colecionador", entre outros.
Os filmes de Wyler vão ser sempre lembrados pelos fãs de cinema quando se falarem em filmes clássicos. Será que se pode dizer o mesmo do "queridinho" da crítica, Lars Von Trier ?
terça-feira, 8 de março de 2011
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