Pela terceira semana consecutiva uma personalidade importante do cinema nos deixa. Primeiro, foi Elizabeth Taylor, depois Farley Granger e agora o diretor Sidney Lumet(1924-2011). Embora com uma carreira irregular, é preciso dizer que Lumet teve um privilégio que poucos cineastas tiveram: iniciar e encerrar a carreira com duas obras-primas.Sua estreia no cinema foi com "Doze homens e uma sentença"(1957), um poderoso drama sobre o sistema judiciário americano; seu último filme foi o excelente "Antes que o diabo saiba que você está morto" (2007), no qual as questões morais assumem o primeiro plano. Aliás, os dois fimes lidam com questões morais. Com certeza, este foi um dos temas que nortearam a obra de Lumet. A crítica às instituições também foi assunto abordado com frequencia em sua obra. Teve como alvos, como já foi dito, o sistema judiciário americano (além do já citado "Doze homens e uma sentença", o tema aparece também em "O Veredicto"); a televisão ("Rede de intrigas"); a corrupção policial ("Serpico", "Q&A, Justiça para todos"), entre outros.
No entanto, seu melhor filme, na minha opinião, é aquele que tem um enfoque mais intimista, o contundente "O homem do prego" (The pawnbroker, 1964). Rod Steiger interpreta o dono de uma casa de penhor atormentado pelas lembranças de um campo de concentração nazista. Ele se isola numa comunidade judaica na Nova Iorque dos anos 60. Na verdade, é um "morto que anda". A atuação de Steiger, tranquilamente, está entre as maiores da história do cinema. O que, aliás, remete àquela que eu considero a principal marca de Sidney Lumet: ele era um magnífico diretor de atores. Neste quesito só perdia para Elia Kazan.
Enfim, mais um grande nos deixou.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
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