"Terra bruta"(Two rode together, 1961), de John Ford, é uma variação do tema de "Rastros de ódio" (The searchers, 1956), do mesmo diretor. A questão do resgate de brancos, capturados por índios. A diferença é que, no primeiro, o Ethan Edwards de John Wayne é um homem amargurado, em constante guerra consigo mesmo; já no segundo, o personagem interpretado por James Stewart (numa das melhores atuações de sua carreira),o "folgado" xerife Guthrie McCabe não tem nada de amargura, nem de conflitos internos. Aceita a incumbência de resgatar os brancos puramente pelo dinheiro. É acompanhado em sua jornada pelo Sargento Gary (Richrad Widmark) que, embora amigo de McCabe é o seu exato oposto. Com um alto senso de dever e moral, é o militar ideal tantas vezes retratado por John Ford. As conversas entre os dois rendem momentos deliciosos.
Ford relativiza o papel de vilão dos índios, fazendo os brancos parecerem muito mais odiosos que os comanches. A cena do baile é um exemplo claro disso.
Não há dúvida de que no final da carreira Ford quis se desculpar, talvez em nome de todo o cinema americano, da maneira como os índios vinham sido retratados na tela. Não fez isso fazendo obras condescendentes, mostrando os índios como "coitadinhos". Expôs os dois lados da moeda, mostrando os defeitos e virtudes tanto dos brancos como dos índios.
Nesse sentido, pode-se falar numa espécie de trilogia informal sobre a questão indígena, composta dos filmes "Rastros de ódio", este "Terra bruta" e fechando com "Crepúsculo de uma raça" (The cheyenne autumn, 1964), este sim, um pedido mais claro de desculpas.
"Terra bruta" vem sendo prejudicado, ao longo dos anos, porque os críticos insistem em compará-lo a "Rastros de ódio", uma obra-prima incontestável de toda a história do cinema. É preciso separar os dois filmes. "Two rode together" merece uma revisão indepedente.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
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