Quem conhece o cinema de Dario Argento sabe que o mestre do horror italiano não liga muito para histórias ou para a construção de personagens. Ele está mais interessado na criação de atmosferas pertubadoras, que sugerem ao espectador que há algo errado naquele lugar, fazendo isso através, geralmente, da utilização da cor vermelha nos cenários, de uma câmera altamente móvel, que "anda" pra todos os lados e da música.
Outra característica do diretor italiano são as cenas de morte altamente estilizadas, até coreografadas, o que faz com que as cenas de assassinato em seus filmes sejam bonitas. É isso que se observa, por exemplo, no clássico "Suspiria"(1977).
Em seu mais recente filme, "Giallo, reféns do medo" (Giallo, 2009), Argento retoma esses elementos de uma forma mais leve, pode-se dizer. As cenas brutais estão lá, o vermelho também, mas, desta vez, o diretor parece mais interessado, realmente, em contar uma história e em caracterizar psicologicamente os personagens. Adrien Brody interpreta o inspetor de polícia Enzo Avolfi, que investiga uma série de assassinatos de mulheres bonitas cometidos por um serial killer. Uma das vítimas do psicopata é a modelo Celine, cuja irmã, Linda (Emmanuelle Seigner) junta-se ao inspetor na busca para recuperá-la. Ao contrário dos outros filmes de Argento, temos aqui flashbacks explicativos que mostram tanto a motivação do assassino como a razão de Enzo ser tão taciturno.Ambos compartilham um passado sombrio, que tem reflexo em suas ações no presente. Deste modo, o filme é mais um thriller se suspense, do que propriamente uma obra de horror. Mas, nas cenas de morte, especialmente nos flashbacks, não há dúvida, estamos vendo um filme de Dario Argento.
Para pessoas que se impressionam fácil, é bom passar bem longe desse filme, mas quem já está acostumado com o cinema fantástico de Argento é só sentar e aproveitar.
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
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