Há um certo tipo de cinefilia que me irrita profundamente. São aqueles "cinéfilos" que escolhem um cineasta em detrimento do outro. Erguem um altar para os diretores de sua preferência e jogam pedras naquele que julgam ser o seu rival. Há varios exemplos dessa "disputa" imbecil, mas os dois que mais chamam a atenção são aqueles que colocam em "lados opostos do ringue" os cineastas Jean-Luc Godard e François Truffaut, e Buster Keaton "contra" Charles Chaplin. Segundo esses iluminados "amantes da sétima arte", se você gosta de Godard, tem que odiar Truffaut e vice-versa. O mesmo vale para a questão Keaton-Chaplin. Há algo mais burro que isso ? É claro que se pode ter preferências. Eu, por exemplo, gosto muito mais de Truffaut do que de Godard, mas não é por isso que eu vou execrar o diretor de "Acossado". Gosto de muitos filmes de Godard. Já em relação a Buster Keaton e Charles Chaplin, gosto igualmente dos dois, ambos foram gênios. Gostar mais de um não implica em odiar o outro.
Há também aquela rivalidade mais ampla, que opõe o cinemão hollywoodiano contra o cinema de arte europeu/asiático. São aqueles que acham que tudo que vem de Hollywood é descartável, diversão sem conteúdo, e tudo que vem da Europa, ou da Ásia, é arte, profundo. Esses pobres coitados não percebem que um blockbuster hollywoodiano pode ter muito mais profundidade que um "filme cabeça" vindo da Suécia, por exemplo. Nem tudo que vem de Hollywood é lixo, e nem tudo que vem da Europa é arte superior. Mas alguns ainda acreditam nisso. Estão perdendo uma ótima oportunidade de se enriquecerem cinematograficamente. Mas sempre é tempo de despertar.
terça-feira, 17 de maio de 2011
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