O faroeste foi um gênero que nasceu quase junto com o cinema. Basta lembrar que "O grande roubo do trem" (The great train robbery), do pioneiro Edwin S.Porter, é de 1903. Ate 1924, no entanto, os filmes de western eram extremamente simples, mocinhos versus bandidos, donzelas puras em perigo, os índios malvados e os homens brancos os salvadores. Em 1924, o diretor John Ford realizou "O cavalo de ferro" (The iron horse), um faroeste que, se não chegava a ser completamente maduro artisticamente, já era um primeiro passo na direção de uma percepção de que o gênero poderia ser muito mais rico do que havia sido até então. Ford continuou realizando seus faroestes magníficos ,com uma evolução clara de um para o outro, até atingir o máximo em "Rastros de ódio" (The searchers, 1956). Mas, houve outro cineasta que também ajudou demais no desenvolvimento do gênero: Anthony Mann (1906-1967). Se John Ford procurava retratar o homem do faroeste da forma mais autêntica possível, Mann foi mais a fundo e procurou mostrar em seus personagens toda a natureza contraditória do Homem. Mocinhos e bandidos não são mais tão simples assim, uma zona cinzenta entre o bem e o mal se instala nos faroestes de Mann. Destes, um dos mais representativos é "E o sangue semeou a terra" (Bend of the river, 1952).
James Stewart interpreta Glyn McLyntock, um ex-pistoleiro que busca a regeneração ajudando um grupo de fazendeiros, guiando-os numa viagem até encontrarem terras férteis para iniciarem suas plantações.McLyntock tem uma marca de corda no pescoço, do tempo em que era bandido e a populção tentou enforcá-lo por conta própria. Ele encontra no caminho Emerson Cole (Arthur Kennedy), um homem que ainda não sabe muito bem se quer continuar fora da lei ou se quer se endireitar como McLyntock.
Como sempre acontece nos faroestes do diretor, principalmente nos estrelados por James Stewart, os dois personagens representam as duas possibilidades que se apresentam no caminho do Homem: seguir o caminho certo ou o errado, a escolha é sempre do ser humano, não é o destino, ou Deus, ou o que quer que seja, é sempre o homem que escolhe qual estrada percorrer. Não é também uma escolha definitiva, Mann sempre acredita que um homem pode mudar. Pelo menos, alguns homens. Nem Stewart nem Kennedy são personagens unilaterais, daqueles que são de um modo e continuam assim pelo resto do filme. Por vezes, o passado violento de McLyntock se expressa em seu rosto. Da mesma maneira, Cole é capaz de gestos heróicos, até arriscando a vida para salvar outras pessoas. Para Anthony Mann, nada é tão simples, muito menos o ser humano.
Conseguindo combinar uma visão de mundo e do ser humano muito pessoal e, ao mesmo tempo, respeitando as regras do espetáculo hollywoodiano, Anthony Mann é um dos mais significativos cineastas americanos da década de 50.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
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