Em "Teu nome é mulher" (Designin woman, 1957), de Vincente Minnelli, Gregory Peck e Lauren Bacall formam um casal completamente diferentes um do outro. Ele é Michael Hagen, um jornlista esportivo, ela é Marila Brown, uma estilista de moda. Vivem em mundos completamente diferentes. Por um tempo eles conseguem manter os mundos separados, e são muito felizes. Mas, é claro que esta situação não pode durar para sempre. Chega uma hora em que ocorre a colisão e aparecem as primeiras rachaduras no até então feliz casamento.
Este filme é mais um exemplo de como nos anos de ouro de Hollywood os diretores (os bons) conseguiam abordar temas sérios, como o casamento, de forma leve, mas nem por isso menos eficaz. No caso deste Designin woman, Minnelli faz um belo retrato da dificuldade na convivência em um casamento de pessoas muito diferentes entre si. Como o marido, ou a mulher, reprimem certos sentimentos para não atrapalhar a harmonia do lar. Mas, chega um momento em que esta repressão não se segura e ela acaba explodindo, normalmente, por causa de um motivo bobo, como, por exemplo, ciúmes de uma antiga namorada. Minnelli aborda tudo isso de forma muito leve, seguindo os padrões do entretenimento hollywoodiano. E, no entanto, consegue ser extremamente pessoal, em um nível artístico muito elevado.
É interessante como Minnelli faz um paralelo entre os mundos de Peck e Bacall. Ela é uma estilista de moda, convive com artistas, coreógrafos, produtores, diretores, dançarinos, ou seja, pertence ao universo da arte, da ilusão, da imaginação. Ele é um jornalista esportivo, vive em um mundo viril, em estádios de baseball, ginásios de boxe, fuma, bebe, e joga pôquer com os amigos que também fumam, bebem e falam palavrão. Ele é mais próximo da realidade, sem ilusão, nem imaginação. A mais grave das preocupações enfrentadas por Lauren Bacall é quando um vestido aparece com defeito minutos antes de um desfile. Já Gregory Peck tem de enfrentar capangas de um poderoso empresário de boxe, que não gosta das reportagens publicadas pelo jornalista sobre suas trapaças nos bastidores do esporte.
Assim, o tema preferido de Minnelli, a ilusão versus a realidade, que ele abordou em tantos musicais maravilhosos, aparece aqui também. E, como acontece nos musicais, a ilusão vence. Isto é representado na divertida cena final, quando os capangas chegam para dar uma surra em Peck e quem o salva, batendo em todos eles com passes de balé, é o coreógrafo afetado, um dos colegas de Bacall.
Para Minnelli, a imaginãção sempre irá derrotar a realidade.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
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