quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A força da natureza

O que menos importa em "Avatar" (Avatar, 2009) de James Cameron, é a tal revolução tecnológica que o filme apresentou, e que o transformou no "filme-evento" da última década. Realmente é impressionante a criação, por computador, do planeta de Pandora, com seus habitantes azuis e animais alados. Ainda mais se vistos na tela grande do cinema. No entanto, como a tecnologia é algo que está sempre evoluindo, provavelmente daqui a 5 ou 7 anos, as tecnicas usadas no filme já estarão ultrapassadas. Sendo assim, o que garantirá "Avatar" como uma obra que transcende as inovações tecnológicas são suas qualidades cinematográficas, ou seja, uma boa história, personangens consistentes, direção criativa e uma visão de mundo pessoal. Afortunadamente, quem desenvolveu o projeto foi James Cameron, cineasta que sempre soube aliar a tecnica com uma grande capacidade narrativa, megalomanias à parte. Se caísse nas mãos de um Michael bay da vida, o fime causaria certa sensação por causa das inovações, mas seria esquecido no momento em que acabasse a sessão.
A história é uma clara metáfora sobre o poder imperialista dos Estados Unidos. O ex-fuzileiro naval Jake Sully (Sam Worthington) é escolhido para servir de informante sobre o planeta Pandora, no qual habita o povo na´vi. Este povo vive na mais total harmonia com a natureza. O "povo do céu" (nós) quer colonizar Pandora por causa de uma substância riquíssima que só se encontra lá. Jake, aos poucos, irá abraçar o estilo de vida dos na´vi , a ponto de trair sua própria gente. Sim, a história é cheia de clichês e ,em última instância, nem era necessário criar todo um mundo através da computação, mas o filme funciona por causa do grande talento cinematogtráfico de Cameron. O diretor já havia abordado o embate entre a natureza e a tecnologia em seu filme anterior, "Titanic" (Titanic, 1997), no qual a primeira levava a melhor, na forma de um iceberg que destruiu em uma hora a "oitava maravilha do mundo", um navio sofisticadíssimo, que era "infundável", segundo a arrogância de seus criadores. Em "Avatar" a natureza também vence, não sem grandes perdas e sacrifícios por parte do povo na´vi.
A crítica aos EUA é feita de forma muito forte através da figura do comandante militar da operação colonizadora em Pandora. "O que nós queremos, nós pegamos" é o seu lema. Uma clara referência aos anos Bush ( pai e filho). Pode soar meio ingênuo, no fim das contas, mas, novamente, a perícia narrativa de Cameron supre este "defeito".
Não sei até que ponto é benéfica para o cinema este excesso de tecnologia. Afinal, não é sempre que haverá um James Cameron no comando. No final, o que garante  a permanência de um filme é seu valor humano, não os efeitos especiais. Como disse certa vez Francis Ford Coppola, "a tecnologia faz parte da criatividade, mas nunca pode ser a fonte da criatividade". James Cameron entendeu isto muito bem, esperamos que a nova geração também entenda.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Sem mocinhos e bandidos

"Terra bruta"(Two rode together, 1961), de John Ford, é uma variação do tema de "Rastros de ódio" (The searchers, 1956), do mesmo diretor. A questão do resgate de brancos, capturados por índios. A diferença é que, no primeiro, o Ethan Edwards de John Wayne é um homem amargurado, em constante guerra consigo mesmo; já no segundo, o personagem interpretado por James Stewart (numa das melhores atuações de sua carreira),o "folgado" xerife Guthrie McCabe não tem nada de amargura, nem de conflitos internos. Aceita a incumbência de resgatar os brancos puramente pelo dinheiro. É acompanhado em sua jornada pelo Sargento Gary (Richrad Widmark) que, embora amigo de McCabe é o seu exato oposto. Com um alto senso de dever e moral, é o militar ideal tantas vezes retratado por John Ford. As conversas entre os dois rendem momentos deliciosos.
Ford relativiza o papel de vilão dos índios, fazendo os brancos parecerem muito mais odiosos que os comanches. A cena do baile é um exemplo claro disso.
Não há dúvida de que no final da carreira Ford quis se desculpar, talvez em nome de todo o cinema americano, da maneira como os índios vinham sido retratados na tela. Não fez isso fazendo obras condescendentes, mostrando os índios como "coitadinhos". Expôs os dois lados da moeda, mostrando os defeitos e virtudes tanto dos brancos como dos índios.
Nesse sentido, pode-se falar numa espécie de trilogia informal sobre a questão indígena, composta dos filmes "Rastros de ódio", este "Terra bruta" e fechando com "Crepúsculo de uma raça" (The cheyenne autumn, 1964), este sim, um pedido mais claro de desculpas.
"Terra bruta" vem sendo prejudicado, ao longo dos anos, porque os críticos insistem em compará-lo a "Rastros de ódio", uma obra-prima incontestável de toda a história do cinema. É preciso separar os dois filmes. "Two rode together" merece uma revisão indepedente.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O assassinato como negócio

Que Charles Chaplin é o maior gênio da história do cinema não há dúvida. No entanto, quando se fala em seu nome, a primeira coisa que vem à mente é a figura do "vagabundo" com suas calças largas e velhas, seus sapatos grandes, o jeito engraçado de andar rodopiando a bengala, o cumprimento com o chapéu e o indefectível bigodinho. Realmente, o personagem criado pelo ator/diretor/roteirista/compositor é o mais icônico não só do cinema, mas de toda a cultura do século XX. E os filmes realizados e protagonizados por Carlitos (como ficou conhecido no Brasil) são, realmente, notáveis e engraçadíssimos, desde os curta-metragens da Keystone até os longas como "O Circo" (The circus, 1928) , "Luzes da cidade"( City lights, 1931), entre outros.
Mas, nem sempre, Chaplin foi Carlitos. Ainda em 1923 ele realizou o pungente drama "Casamento ou luxo" (A woman in Paris). Após "O grande ditador" (The great dictator, 1941), o diretor foi quase que exilado dos Estados Unidos por suspeita de ser comunista. Passou a realizar filmes apenas esporadicamente, sempre com um olhar extremamente crítico para o país que o abrigou e depois o expulsou (Chaplin era inglês). O mais ácido desses filmes foi, sem dúvida nenhuma, "Monseiur Verdoux" (idem, 1947), uma comédia de humor negro muito à frente de seu tempo, por isso mesmo, um fracasso quando de seu lançamento. Conta a história do caixa de banco Henri Verdoux ( o próprio Chaplin) que, devido à depressão econômica americana de 1929, acaba perdendo o emprego após 30 anos. Para sustentar a mulher inválida e o filho, não encontrando outro trabalho em sua idade avançada, ele passa a se casar com viúvas ricas, as mata, e fica com o dinheiro.
Todas as situações do filme são mostradas com muito humor, como a tentativa de assassinato de uma de suas vítimas (Martha Hyer) num barco.
Num mundo capitalista, o assassinato torna-se um empreendimento legítimo, um negócio como qualquer outro, com seus riscos e suas recompensas. Na antológica sequencia do julgamento, Verdoux diz que o próprio mundo encoraja o assassinato, com os governos construindo armas de destruição em massa, entrando em conflitos. Mata-se milhões de pessoas na guerra, torna-se um herói; mata uma pessoa em tempo de paz e se torna um assassino. A lógica de Verdoux/Chaplin é implacável. Num mundo vil, violento, como o nosso, para sobrevivermos, também temos que ser vis e violentos. O mundo nos ensina isso. Não é nada pessoal, apenas uma questão de sobrevivência. Afinal, num mundo capitalista somos medidos pelo dinheiro que possuímos.
É claro que um filme com um argumento desses iria assustar as platéias da década de 40, ainda traumatizadas pelos seis anos de conflito bélico. Mesmo hoje quando, apesar de oficiamente não termos mais censura mas, em compensação, temos a praga do politicamente correto, o filme de Chaplin ainda causa uma certa surpresa. Provavelmete os moralistas de plantão iriam chiar. É claro que Chaplin não está encorajando o assassinato, ele mostra, apenas, que o mundo como se apresenta, cria condições para isso.
Pode parecer um filme depressivo, mórbido, mas não é nada disso. É divertidíssimo, com cenas muito engraçadas. O melhor filme de Chaplin.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Mais um "loser" para a galeria de John Huston

Há certos filmes que se beneficiam do contexto no qual foram realizados. Nos anos 60, por exemplo, em Hollywood, não se podia falar, de forma aberta, em homossexualismo. Se algum personagem tivesse essa característica, os diretores tinham que dar um jeito de sugerir isso, sem explicitar, recorrendo a criatividade.
Otto Preminger, conhecido, além de grande diretor, como um "quebrador de tabus", mostrou em seu filme "Tempestade sobre Washington" (Advise and consent, 1962, o melhor filme já feito até hoje sobre política) uma cena que se passava num bar gay. Mas, uma obra que enfocava durante toda a sua projeção a angústia de ser um homossexual numa época em que isso era alvo de um preconceito enorme e até enquadrado como crime em alguns países, era algo inédito, pelo menos no "cinemão" de Hollywood. Quem conseguiu o feito foi John Huston, em "O pecado de todos nós" (Reflections in a golden eye, 1967). A palavra "gay" nunca é citada, mas sabemos que o Major Penderton (Marlon Brando) tem outras preferências. Huston usa de muitas sugestões, como o fato do Major não se relacionar sexualmente com sua mulher (Elizabeth Taylor) e o  modo como ele observa o Recruta Williams (Robert Forster) cavalgar nu, além de outras "dicas".
O filme quase não tem história. Narra a rotina num forte do Exército americano, no qual Penderton vive com sua esposa, que o trai com o Sargento Morris (Brian Keith). Este, por sua vez, é casado com uma mulher problemática (Julie Harris) que entrou em estado de choque quando sua filha recém-nascida morreu. Horrorizada de viver num ambiente totalmente desprovido de sensibilidade e compaixão, ela encontra refúgio num enfermeiro filipino que, além de cuidar dela, a diverte com seus trejeitos e brincadeiras. Claro que ele é ridicularizado por todos no Forte.
A aparente paz do lugar cai por terra quando o recruta Williams observa Leonora, a esposa do major, nua, pela janela. Fica obcecado por ela. Ao mesmo tempo, a homossexualidade do Major é despertada com a visão do soldado cavalgando nu pelos bosques. A partir daí é só uma questão de tempo para todas essas paixões explodirem e causar estragos.
O filme é carregado de símbolos, o mais forte deles o cavalo, que representa a potência sexual que Leonora não encontra mais no marido. A cena em que Brando açoita o garanhão Firebird é representativa disso. Na verdade, nesta cena, Penderton está punindo sua própria sexualidade, já que o cavalo é um garanhão, representa a potência sexual masculina. Repare como na sequencia da surra, Brando chora como uma mulher, uma mulher carente, que não consegue se realizar sexualmente.
Este filme pode parecer estranho na carreira de John Huston, já que, aparentemente, não apresenta semelhanças com outros filmes do diretor. Mas só aparentemente. Em seus melhores filmes, com raras exceções, os personagens hustonianos são perdedores. Eles sempre buscam alguma coisa, com todas as suas forças e, no final, a busca resulta infrutífera. Ou eles não conseguem a coisa desejada ou, se a conseguem, a perdem logo depois. Ou, ainda, a coisa perseguida os acaba destruindo. Resumindo, é a inutilidade do esforço. Assim, a busca do Major Penderton tentando conseguir a atenção de Williams(vista com mais clareza nas cenas finais) encontra eco no fracasso dos trapaceiros de "O falcão maltês"; nos bandidos de "O segedo das jóias", nos garimpeiros de "O tesouro de Sierra Madre"; no Capitão Ahab de "Moby Dick" etc.
E Marlon Brando prova mais uma vez que é o melhor ator que o cinema já viu ou verá. Em uma atuação corajosa, visceral, perfeita, antológica.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Imprima-se a lenda !

Da chamada Trilogia da Cavalaria, que o diretor John Ford realizou entre 1948 e 1950, "Legião invencível" (She wore a yellow ribbon, 1949) é o mais convencional. O primeiro da série, "Sangue de heróis"(Fort Apache, 1948) é, não só, o melhor da trilogia, mas uma das obras-primas do diretor. Conta, de forma disfarçada, a história do massacre de Little Big Horn, no qual o General Custer e todo seu comando foram mortos pelos índios Cheyenne. Custer aparece travestido do Coronel Owen Thursday (Henry Fonda) e o retrato que dele faz John Ford não é nada heróico. Vaidoso e preconceituoso ao extremo, Thursday acaba causando a morte de seus homens de forma gratuita, já que os índios estavam dispostos a discutir a paz e, devido à intransigência e arrogância do Coronel ocorre um combate e os índios, em número muito maior, acabam prevalecendo. Logo após, o Capitão York (John Wayne), em entrevista à imprensa, trata de "dourar a pilúla", apresentando Thursday/Custer como um verdadeiro mártir que se sacrificou pela paz no território. E assim nasceu a lenda do "Intrépido General Custer", nos diz John Ford.
No filme seguinte, "Legião invencível", Ford sentiu a necessidade de instaurar o mito novamente, percebendo, talvez, que tinha pegado um pouco pesado com uma das mais aclamadas figuras da História americana. Assim, neste filme, o diretor faz uma verdadeira ode à Cavalaria, descrevendo seus costumes, a camaradagem entre os soldados, suas pequenas intrigas, alegrias e tristezas.
A história quase inexiste. O capitão Nathan Brittles (John Wayne), prestes a se aposentar, comanda uma última missão, tentando evitar que várias tribos indígenas se unam e partam para um ataque contra o exército dos EUA. Só isso. O curioso é que o filme começa, justamente, falando do massacre de Little Big Horn. Os índios, vendo o sucesso do ataque, se entusiasmam e tentam fazer um levante. Brittles vai tentar evitar o confronto,sem sucesso, mas a Cavalaria sai vitoriosa. Sim, é uma visão extremamente romantizada do exército americano, mas, talvez, depois do rigor do filme anterior, Ford sentiu a necessidade de pegar mais leve, devolvendo ao povo americano a visão que eles sempre tiveram de seus heróis.
Encerrando a trilogia, veio depois "Rio Grande" (1950), uma história mais intimista, de conflitos familiares.
Vendo os três filmes em conjunto, fica claro a preferência do diretor pelos anônimos, aqueles homens simples e humildes, trabalhadores, que fazem a base para a grande História americana. São homens que irão ser esquecidos pela História e pelo tempo mas que, segundo Ford, foram parte fundamental na construção dos Estados Unidos.
Pode não ter sido a verdade, que a Cavalria não fosse realmente aquela camaradagem, mas que importa ? Quem disse que o cinema tem que retratar a verdade ? Como diz o repórter de  "O homem que matou o facínora " (The man who shot Liberty Valence, 1962), outra das obras-primas de Ford, "quando a lenda transforma-se em fato, imprime-se a lenda". Eu sempre preferi a lenda.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Kubrick antevendo a relação entre política e criminalidade

"Laranja mecânica" (A clockwork orange, 1971), de Stanley Kubrick, é um filme que não dá para apreender vendo uma só vez. Como toda obra-prima, é um filme no qual descobrimos coisas novas toda vez que o revemos. Possui vários níveis de entendimento. Mesmo aqueles que não gostaram (o que é quase impossível) não conseguem esquecer certas imagens do filme, ou pela sua brutalidade, ou por ser "esquisita" demais.
Falar que o trabalho de Kubrick é um estudo sobre a violência, embora seja verdade, é reduzir demais o filme. Na verdade, o diretor está mais interessado na violência institucional, do Estado contra o indivíduo, do que propriamente na violência física. Aliás, esse é um tema que aparece em outros filmes do cineasta, como em "Glória feita de sangue" (Paths of glory, 1957), "Spartacus" (idem, 1960), "Doutor Fantástico"(Dr. Strangelove, 1964) e "Nascido para matar"(Full metal jecket, 1987).
Por que Alex (Malcom McDowell, numa das maiores atuações da história da cinema) é violento ? O filme não se aprofunda muito sobre isso, mas nos dá algumas dicas. Por exemplo, no dia seguinte a mais uma noite da "boa e velha ultra-violência", Alex está no seu quarto, com uma dor nas partes genitais, portanto, não vai a escola. Sua mãe, de forma calma e compassiva, pondera que o filho já não vai a escola há uma semana. Ele enrola a resposta e a mãe, aceitando, volta a mesa para tomar o café da manhã. O pai desconfia do misterioso "trabalho" que o filho faz todas as noites, mas também não toma nenhuma providência sobre o assunto. Ou seja, os pais não estão nem aí com o filho, portanto, Alex pensa que pode tudo.
Quando ele finalmente é preso, começa a violência estatal. Não há dúvida de que Alex merece uma punição pesada, mas daí  o Estado passar a utilizá-lo como cobaia num experimento de extirpação do instinto violento, com vistas a fins políticos, vai uma distância muito grande. O dever do Estado é tentar recuperar o criminoso e, se não for possível, tratar de mantê-lo atrás das grades. É claro que o tiro sai pela culatra. O enigmático final do filme, que já rendeu inúmeras interpretações, mostra que o futuro é bem sombrio, com uma possível união entre o poder político e a criminalidade. Coisa que nós, brasileiros, conhecemos muito bem.
"Laranja mecânica" é daqueles filmes que nunca irão envelhecer, do qual cada um tira uma leitura diferente, rendendo debates, na maioria das vezes, muito interessantes. Sem falar que é muito, mas muito bem filmado.
Enfim, é impossível falar desta obra-prima em algumas linhas. O melhor mesmo é ver o filme e tirar suas próprias conclusões.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Diferente, mas igual

Quem conhece o cinema de Dario Argento sabe que o mestre do horror italiano não liga muito para histórias ou para a construção de personagens. Ele está mais interessado na criação de atmosferas pertubadoras, que sugerem ao espectador que há algo errado naquele lugar, fazendo isso através, geralmente, da utilização da cor vermelha nos cenários, de uma câmera altamente móvel, que "anda" pra todos os lados e da música.
Outra característica do diretor italiano são as cenas de morte altamente estilizadas, até coreografadas, o que faz com que as cenas de assassinato em seus filmes sejam bonitas. É isso que se observa, por exemplo, no clássico "Suspiria"(1977).
Em seu mais recente filme, "Giallo, reféns do medo" (Giallo, 2009), Argento retoma esses elementos de uma forma mais leve, pode-se dizer. As cenas brutais estão lá, o vermelho também, mas, desta vez, o diretor parece mais interessado, realmente, em contar uma história e em caracterizar psicologicamente os personagens. Adrien Brody interpreta o inspetor de polícia Enzo Avolfi, que investiga uma série de assassinatos de mulheres bonitas cometidos por um serial killer. Uma das vítimas do psicopata é a modelo Celine, cuja irmã, Linda (Emmanuelle Seigner) junta-se ao inspetor na busca para recuperá-la. Ao contrário dos outros filmes de Argento, temos aqui flashbacks explicativos que mostram tanto a motivação do assassino como a razão de Enzo ser tão taciturno.Ambos compartilham um passado sombrio, que tem reflexo em suas ações no presente. Deste modo, o filme é mais um thriller se suspense, do que propriamente uma obra de horror. Mas, nas cenas de morte, especialmente nos flashbacks, não há dúvida, estamos vendo um filme de Dario Argento.
Para pessoas que se impressionam fácil, é bom passar bem longe desse filme, mas quem já está acostumado com o cinema fantástico de Argento é só sentar e aproveitar.