quarta-feira, 9 de junho de 2010

Titanic: o choque dos mundos e a insignificância do Homem

A mais avançada tecnologia criada pelo homem não é páreo para a natureza. Esta é, em linhas gerais, a tese defendida por James Cameron em seu épico de 1997 "Titanic". À época de seu lançamento as qualidades do filme foram esquecidas por causa da febre Leonardo DiCaprio, que se apoderou de adolescentes em todo o mundo. Os críticos, de maneira geral, numa atitude esnobe, desprezaram o filme por causa da tietagem em cima do então jovem astro. É claro que alguns defenderam o trabalho de Cameron, mas não a maioria, pelo menos no Brasil. No entanto, passados mais de dez anos, já passou da hora de se valorizar esse belo filme que vai muito além de um romance lacrimoso e de uma audácia tecnica até então sem precedentes.
O pobretão Jack Dawson (DiCaprio) embarca no Titanic após ganhar uma aposta, encontra a pobre menina rica Rose DeWitter(Kate Winslet), os dois se apaixonam. Rose vai se casar com um milionário esnobe, interpretado por Billy Zane. O triângulo amoroso, mais que convencional, está montado. No entanto, ele é apenas um pretexto para Cameron falar do que realmente inporta na primeira metade do filme : a rígida divisão de classes dentro do luxuoso transatlântico, que, na realidade,acaba sendo um espelho da própria sociedade. Quando esses dois mundos se unem, no romance de Jack e Rose, ocorre a catástrofe : o Titanic choca-se com um iceberg e vai afundando aos poucos. Não há harmonia possível entre os de cima e os de baixo da pirâmide social. Um ponto de vista bem pessimista sobre o funcionamento do mundo. A união do rico com o pobre só pode provocar desastre. Perceba que o iceberg bate no navio exatamente no momento em que Rose decide fugir com Jack. É como se dissesse : não mexam na ordem natural das coisas, se não, a natureza se vinga. E vingou-se, realmente, matando mais de 1500 pessoas.
A segunda metade do filme, demonstrativa da afirmativa o "homem lobo do homem", com todos a bordo lutando entre si para sobreviver, mostra que embora a união dos mundos não seja algo pláusivel, não há muita diferença assim entre eles. No final, todos querem se sair bem, por quaisquer meios. Na hora da dificuldade esquecem-se noções de solidariedade e bondade.
Mas o que mais chama a atenão nessa segunda parte do filme é a estupefação do comandante e do engenheiro do Titanic. Crente que construíram um navio inafundável ,eles não acreditam no que vêem. A fragilidade do ser humano frente a natureza é realmente de se espantar. Pela nossa própria arrogância não percebemos isso, mas somos muitos pequenos, insiginificantes, frente a imensidão do universo.
Mas, é claro, para não deixar o espectador muito melancólico, Cameron, muito sabiamente, deu ênfase ao romance entre Leonardo DiCaprio e kate Winslet. Impossível de se concretizar, pelo menos neste mundo, mas com força suficiente para nos fazer acreditar que ainda é possível viver-se em harmonia neste mundo decadente e brutalizado.

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